Busca por planejamento fiscal deve aumentar em 2015, afirmam tributaristas – 29/01/2015

Diante do aumento na alíquota de vários impostos, anunciado recentemente pelo governo, e dos sinais fracos da economia brasileira, escritórios de advocacia especializados em Direito Tributário enxergam aumento expressivo no número de consultas empresariais sobre novas formas de reduzir a carga tributária das empresas.

De acordo com o tributarista Lucas Bizzotto Amorim, do Marcelo Tostes Advogados, o escritório paulista teve, já neste mês de janeiro aumento de 30% no número de consultas sobre mudança da legislação e da carga tributárias, em relação ao mesmo período do ano passado.
&#160
Ele acredita que a mudança na infraestrutura do fisco, seja ele municipal, estadual, ou federal, e a maior capacitação de seus funcionários, modificaram a forma como as empresas buscam o Direito Tributário. Amorim avalia que formas arcaicas de planejamento tributário — que na maioria das vezes consistiam no simples não cumprimento das obrigações fiscais, diz o advogado — não são mais viáveis. “Por conta da alta competitividade empresarial, qualquer pequena diferença nas despesas operacionais pode significar o sucesso ou a quebra da empresa”, diz.
&#160
Como planejar
Segundo Amorim, as formas mais convencionais de planejar os gastos com o fisco são “reestruturação societária, elaboração de quadro comparativo entre as diferentes formas de apuração de tributos, e análise de possíveis créditos a serem aproveitados”, explica. Amorim alerta para “planejamentos mirabolantes, que prometem reduções enormes da noite para o dia no volume de impostos”, pois “elevam sobremaneira o risco do negócio, e podem levar a consequências irreversíveis”.
&#160
A advogada Fernanda Ferrari, sócia da Duarte Garcia, Caselli Guimarães e Terra Advogados (DGCGT), diz que sempre que a economia se projeta de forma negativa, as empresas tendem a rever suas metas e orçamentos, cortar custos e otimizar os investimentos. E diz que as companhias devem implementar novas estruturas para lidar com tempos econômicos incertos que podem vir.
&#160
Segundo Fernanda, dentro desse contexto, o planejamento tributário e operacional se tornam ferramentas fundamentais. “No Brasil, o contribuinte é totalmente livre para se organizar de forma menos onerosa, tanto com relação aos aspectos fiscais como aos operacionais. Desde que não se descumpra nenhuma lei, as empresas podem adotar a forma mais vantajosa, inclusive para pagar menos tributos”.
&#160
Cuidado de empresário
A advogada alerta para alguns cuidados essenciais. Um deles é o de evitar o fisco considere o planejamento como simulação, abuso ou fraude.
Para tanto, todo o planejamento tributário deve verificar se possui uma justificativa negocial para a sua realização, a chamada “fundamentação econômica”. “Essa tendência de comportamento dos empresários já vem sendo percebida desde o final do ano passado e tende a aumentar durante esse ano”, avalia.
&#160
O advogado Geraldo Wetzel Neto, sócio do Bornholdt Advogados, entende que as empresas ainda estão fechando os números de 2014 e, assim, analisando quais custos tiveram maior impacto sobre o resultado. Para ele, em 2014, as empresas já sofreram com o aumento de determinadas categorias de custos acima da inflação, que não puderam ser repassadas ao cliente.
&#160
“Para o ano de 2015 este cenário será ainda mais agressivo às empresas e certamente é neste começo de ano que o planejamento e a execução de várias ações conjuntas torna-se relevante. O planejamento tributário é uma dessas ações com impacto tão ou mais importante que a redução de custos, por exemplo.” Ele aponta, contudo, que “em geral seu efeito não é tão imediato quanto uma redução no quadro de colaboradores”, analisa. penso que nas próximas semanas será perceptível o aumento da demanda por esse trabalho”, completou.
&#160
Alíquota não é tributo
Por sua vez, o advogado tributarista Luis Eduardo Longo Barbosa, sócio do Trigueiro Fontes Advogados, afirma que não há muita margem para que as mudanças anunciadas pelo governo influenciem o segmento de planejamento (tributário), já que o que ocorreu foi aumento de alíquotas.
“Pelo histórico de alta carga tributária local, o planejamento tributário estratégico há muito é uma realidade permanente nos clientes e, com as novas medidas, acredito que essa realidade apenas continuará no mesmo sentido”, observa.
&#160
André Felix Ricotta de Oliveira, advogado tributarista sócio do Innocenti Advogados Associados, aponta que a economia esteve estagnada em 2014 e a primeira medida adotada pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, foi justamente de aumentar mais a carga tributária e impossibilitar o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins de alguns setores econômicos, como a indústria leiteira. Para ele, “com essas medidas fiscais tomadas pelo governo, o trabalho tributário sempre é valorizado”, afirma Oliveira.
&#160
Fonte: Revista Consultor Jurídico